quarta-feira, 2 de julho de 2025

Partido de Cristo ou Igreja de Jesus Cristo?

Homilia pronunciada no Seminário maior de Filadélfia, Estados Unidos, em 21 de janeiro de 1990 (3° domingo do tempo comum).

A leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios que acabamos de ouvir é de uma atualidade quase dramática. É verdade que São Paulo fala à comunidade de Corinto de sua época interpelando as consciências diante do que, entre eles, está em contradição com a verdadeira existência cristã. Entretanto, logo percebemos que não se trata apenas de uma comunidade cristã que de há muito pertence ao passado, mas que aquilo que ele escreveu toca-nos a nós aqui e agora. Ao se dirigir aos coríntios, Paulo se dirige a nós e põem o dedo na ferida de nossa vida eclesial de hoje. Como os Coríntios também nós corremos o risco de desenvolver a Igreja com lutas e partidarismos, onde cada um desenvolve sua própria idéia sobre o cristianismo. Assim, a pretensão de sempre termos razão torna-se mais importante do que a exigência de Deus sobre nós, mas importante que nosso reto proceder diante Dele. Nossa idéia própria oculta-nos a Palavra de Deus e a Igreja desaparece por trás dos partidos criados segundo nossos próprios gostos. É impossível ignorar a semelhança que há entre a situação dos Coríntios e a nossa. Mas Paulo não pretende apenas descrever uma situação. Ele se dirige a nós, para sacudir a nossa consciência e nos reconduzir a verdadeira totalidade e unidade da existência cristã. Por isto devemos perguntar-lhe: Que existe verdadeiramente de errado em nosso comportamento? Que fazer para não nos tornar nos partido de Paulo ou de Apolo ou de Cefas, nem partido de Cristo, mas sua Igreja? Que diferença existe entre um partido de Cristo e sua Igreja viva? Entre um partido de Cefas e a verdadeira fidelidade à rocha sobre a qual está construída a casa de Deus?

Procuremos, portanto, antes de tudo, entender o que acontece em Corinto e que, em vista dos perigos inerentes ao próprio homem, ameaça constantemente se repetir de novo. Poderíamos resumir brevemente a diferença em questão na seguinte frase: Se eu me declaro por um partido, este se torna, por isto mesmo, o meu partido. Ora, a Igreja de Jesus não é minha, mas sempre sua Igreja. A essência da conversão consiste em que eu já não procure meu partido, com meus interesses e meus gostos, mas me entregue às mãos do Cristo e me torne membro de seu corpo, que é a Igreja. Procuremos ilustrar este ponto um pouco mais detalhadamente. Os coríntios vêem no cristianismo uma teoria religiosa interessante que corresponde a seus gostos e expectativas. Escolhem aquilo que lhes agrada e o escolhem sob uma forma que lhes é simpática. Quando, porém, a vontade própria é determinante, já se deu a cisão, porque os gostos são muitos e contraditórios entre si. Desta escolha ideológica pode surgir um clube, um circulo de amigos, ou um partido, mas não uma Igreja que supera oposições entre os homes e os une na paz de Deus. O principio do qual surge um clube é o próprio gosto, mas o principio sobre o qual se funda a Igreja é a obediência ao chamado do Senhor, como hoje lemos no Evangelho: “Chamou-os e eles, deixando imediatamente o barco e o pai, seguiram Jesus”. (Mt 4, 21s)

Tocamos aqui um ponto decisivo: a fé não é a escolha de um programa que me convém o ingresso em um clube, no qual me sinto compreendido. A fé é conversão, que muda minha pessoa e meus gostos o pelo menos torna secundários meus gostos e minha vontade. A fé atinge uma profundidade inteiramente diversa daquela da escolha que a caracteriza como um novo nascimento (cf I Pd 1, 3-23). Estamos aqui diante de uma percepção importante que devemos aprofundar um pouco mais, porque é neste ponto que se oculta o cerne dos problemas com os quais temos de lidar hoje em dia dentro da Igreja. Temos dificuldades de imagina a Igreja a não se nos moldes de uma sociedade autônoma que procura dar a si mesma uma forma, aceitável para todos, valendo-se do principio de maioria. Temos dificuldade de conceber a fé a não ser à maneira de uma opção por uma causa que nos agrada e pela qual gostaríamos de nos emprenhar. Mas em tudo isto os agentes somos apensa nós mesmos. Somos nós que construímos a Igreja, somos nós que tentamos melhorá-la e transformá-la em uma casa habitável. Nós queremos oferecer programas e idéias que sejam simpáticas ao maior número possível de pessoas. No mundo moderno simplesmente já não pressupomos que é Deus quem toma a iniciativa e age. Com isto exatamente nos igualamos cós coríntios: trocamos a Igreja por um partido e a fé por um programa partidário. Não se rompe o circulo de nossa própria vontade e de nossos próprios gostos.

Talvez agora possamos compreender um pouco melhor a mudança que a fé significa, a conversão que ela implica: reconheço que é o próprio Deus quem fala e quem age; que não existe apenas a nossa, mas a Sua causa. Mas se isto é verdade, se não somos nós apenas que optamos e agimos, mas se é Ele quem fala e opera, então tudo muda de aspecto. Então devo obedecer a Ele, devo segui-lo, mesmo quando Ele me conduz para onde não quero (Jo 21,18). Então torna-se pleno de sentido, torna-se mesmo necessário que eu abandone meus próprios gostos, renuncie a minha própria vontade e siga aquele que é o único que nos pode mostrar o caminho que conduz á vida verdadeira, porque ele mesmo é a própria vida (Jo 14,6). É este o significado da cruz que Paulo nos aponta, como a resposta aos partidos de Corinto (10, 17). Abandono meus gostos e me submeto a Ele. Mas é assim que me torno livre, porque a servidão precisamente consiste em permanecermos presos no circulo de nossos próprios desejos.

Compreenderemos tudo isto ainda melhor, se o consideramos sobre outro ponto de vista, não partindo mais de nós mesmos, mas do próprio Deus e sua iniciativa. Cristo não é fundador de um partido nem filosofo religioso, aspecto este para o qual São Paulo chama enfaticamente atenção em nossa leitura ( I Cor 10,17). Não é uma pessoa que imagina toda espécie de idéias e conquista partidários para elas. A carta aos hebreus expressa o ingresso de Cristo neste mundo com as palavras do Salmo 40: “Não quiseste sacrifício e oferendas, mas me preparaste um corpo (Sl 40,6; Hb 10,5). Cristo é a própria palavra de Deus que se encarnou por nós. Não é apenas mais uma pessoa que fala; Ele é a palavra que fala. Seu amor, no qual Deus se dá a nós, vai até o extremo, vai até a cruz (cf Jo 13,1). Se o acolhemos, não acolhemos apenas idéias; mas colocamos nossas vidas em suas mãos e nos tornamos uma “nova criatura” ( II Cor 5, 17; Gl 6,15). A Igreja, portanto, não é um clube, não é um partido, nem um estado religioso dentro do estado terrestre, mas um corpo, o corpo de Cristo. E por isto a Igreja não é feita por nós; é construída pelo próprio Cristo, ao purificarmos pela Palavra e pelo Sacramento, fazendo de nós seus membros. Naturalmente existem muitas coisas que nós próprios estabelecemos dentro da Igreja, porque ela penetra profundamente na esfera prática das coisas humanas. Não quero fazer aqui apologia de um falso supranaturalismo. Mas o que é especifico e próprio da Igreja não pode ser fruto de nossas vontades e de nossas iniciativas; não nasce “da carne nem da vontade do homem” (Jo 1,13). Deve vir de Cristo quanto mais somos nós que fazemos a Igreja, tanto mais ela se torna inabitável, porque tudo o que é humano é limitado e se contrapõem a outro humano. A Igreja será tanto mais a pátria do coração para os homens, quanto mais escutamos o Senhor e quanto mais ela viver do Senhor de sua Palavra de dos Sacramentos que Ele os legou. A obediência de todos a Ele será a garantia de nossa liberdade.

Tudo isto tem conseqüências muito importantes para o ministério sacerdotal. O sacerdote deve velar atentamente para não construir sua própria Igreja. Paulo examina cuidadosamente sua consciência. Perguntando-se como era possível que pessoas transformassem a Igreja de Cristo em um partido religioso de Paulo. Com isto quer garantir a si mesmo e aos Coríntios que tudo foi feito para evitar ligações que pudessem obscurecer a comunhão com Cristo. Quem se converte por intermédio de Paulo não se torna partidário de Paulo. Mas seguidor de Cristo. Membros da Igreja comum que permanece sempre a mesma independentemente de quem seja Paulo ou Apolo ou Cefas ( I Cor 3,22). Não importa quem seja este ou aquele: “Vós sóis de Cristo, e Cristo é de Deus” (3,23). Vale apena reler e analisar cuidadosamente o que Paulo escreveu a este respeito. Porque ai aparece o que é essencial no ministério sacerdotal, com uma clareza que nos ensina, de modo prático e para além de qualquer teoria, o que devemos fazer ou não fazer. “Quem é, portanto, Apolo? Quem é Paulo? Servidores pelo quais recebeste a fé... Eu plantei, Apolo regou; mais quem deu o crescimento foi Deus. Assim aquele que planta nada é, aquele que rega nada é; mas importa tão somente Deus, que dá o crescimento. Aquele que planta e aquele que rega são iguais... Somos cooperadores de Deus. Vós sois o campo de Deus sóis o edifício de Deus” (I Cor3,5-9). Em certas Igrejas protestantes alemãs existia e ainda existem o costume de comunicar nos anúncios do serviço divino quem presidirá o culto e fará a pregação. Não raro esconde-se sob esses nomes, certo partidarismo. Cada um escolhe seu próprio ministro, infelizmente algo de parecido começa agora também a se verificar em comunidades católicas, mas isto mostra que a Igreja tende a desaparecer por detrás de partidos e que, em ultima analise, queremos ouvir opiniões humanas e não mais a Palavra comum de Deus que tudo supera e cuja garantia é a Igreja uma. Só a unidade da fé da Igreja e a sua obrigatoriedade nos dão a garantia de não seguirmos opiniões humanas nem aderimos a partidos formados por nós próprios, pertencemos e obedecemos ao Senhor. Hoje em dia existe o grande perigo de se dividir a Igreja em partidos religiosos que se agrupam em torno de mestres e pregadores. Então vale de novo: eu sou de Apolo, eu sou de Paulo, eu sou de Pedro, transformando o próprio Cristo em um partido. A norma do ministério sacerdotal é o autodesprendimento que se submete à medida de Jesus: “Minha doutrina não é minha” (Jo 7,16). Somente quando pudermos dizer isto sem nenhuma restrição é que seremos cooperadores de Deus que plantam e regam, tornando-nos, assim, participantes da sua obra. Se os homens se reportam a nós, contrapondo nosso cristianismo ao dos outros.Isto deve constituir para nós sempre motivo para um exame de consciência. Nós não anunciamos anos próprios. Anunciamos a Cristo. Isto exige nossa humildade, a cruz do seguimento. Mas é justamente isto que os liberta, enriquece e engrandece nosso ministério. Com efeito, se anunciamos anos próprios, permaneceremos encerrados em nossos pobre eu e reduziremos outros a nossa estreiteza. Se anunciamos o Cristo, tornanar-nos-emos “cooperadores de Deus” (I Cor 3,9) , e que poderia haver de mais belo e de mais libertador?

Peçamos ao Senhor que Ele nos faça experimentar sempre de novo a alegria desta missão. Assim também entre nós se torna verdadeira a palavra do Profeta, palavra esta que só se realiza onde o próprio Cristo percorre nossos caminhos: o povo que vive nas trevas viu uma grande luz... Rejubilam-se diante de vós como na alegria da colheita, como exultam na partilha dos despojos (Is 9,1-3; cf Mt 4,15). Amém.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Origem e propósito do Advento

O Advento tem suas raízes nos primeiros séculos do cristianismo, quando a Igreja começou a organizar o calendário litúrgico para celebrar os mistérios da fé. Inicialmente associado à preparação para a Epifania, este tempo ganhou maior estrutura com o passar dos séculos, tornando-se uma jornada de quatro semanas dedicada à expectativa pelo Natal e à reflexão sobre a segunda vinda de Cristo.

Espiritualmente, o Advento está profundamente ligado ao anseio messiânico do povo de Israel. Desde os patriarcas até os profetas, a história da salvação está marcada pela promessa de um Salvador que libertaria seu povo. No Advento, essa espera se renova, unindo-nos à história do povo eleito e nos convidando a viver com a mesma esperança que sustentou os justos do Antigo Testamento.

O propósito do Advento é claro: preparar o nosso interior para o encontro com Cristo, tanto na humildade de seu nascimento em Belém quanto na majestade de sua vinda gloriosa. É um tempo de conversão e vigilância, que nos ensina que a verdadeira preparação não está nas aparências externas, mas no coração disposto a acolher o Salvador. A pergunta central do Advento, então, permanece: estamos prontos para recebê-lo?

Advento no calendário litúrgico

O Advento é o primeiro tempo do ano litúrgico, marcando o início de um novo ciclo que culminará nas celebrações da Páscoa. Sua duração é de quatro semanas, começando no domingo mais próximo ao dia 30 de novembro e terminando na véspera do Natal. Cada uma dessas quatro semanas é descrita por uma ênfase particular, refletindo a expectativa e a preparação tanto para o nascimento de Cristo quanto para sua segunda vinda.

O calendário do Advento é estruturado em torno de quatro domingos, cada um com um tema específico. No primeiro domingo, que abre o tempo, chama os fiéis a uma vigilância ativa e ao arrependimento. O segundo e o terceiro domingos falam da alegria e da esperança que sustentam a esperança do Salvador, enquanto o quarto domingo, próximo ao Natal, nos convida a uma reflexão mais íntima sobre a encarnação de Deus. O simbolismo das velas da coroa do Advento também acompanha esse caminho, com cada vela acesa representando uma etapa da preparação espiritual.

No ciclo litúrgico da Igreja, o Advento é, portanto, um momento de renovação e preparação. Ele não apenas nos prepara para a celebração do Natal, mas também nos coloca em sintonia com toda a história da salvação. Portanto, ao vivenciarmos cada domingo do Advento, somos chamados a renovar a nossa fé e vigiar, aguardando com esperança o retorno de Cristo.

Fonte: Blog da Minha Biblioteca Católica

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Coroa do Advento: entenda seu significado

Os símbolos nos ajudam a compreender os mistérios que envolvem a fé. Cada tempo litúrgico tem a sua cor, por exemplo, e representa algo. Um dos símbolos bastante conhecidos do período que antecede o Natal é a Coroa do Advento, uma guirlanda adornada com velas que, por meio de seus elementos visuais, nos conduz a preparação para a vinda do Messias.

O tempo do Advento

O Advento é o início de um novo ano litúrgico na Igreja Católica. Ao longo das quatro semanas que antecedem o Natal, as leituras e os símbolos deste tempo litúrgico auxiliam os fiéis a se prepararem para a vinda do Senhor. Assim como Deus preparou o seu povo ao longo de muitos anos, para a chegada do Messias, a Igreja também orienta os fiéis a estarem prontos para um encontro com o Senhor. Seja na hora da nossa morte, seja na Sua segunda vinda. Por isso, no Advento, não apenas revivemos a expectativa do nascimento de Jesus, mas somos chamados à vigilância e à oração, a fim de nos prepararmos para a vinda do Senhor.

 O que é a coroa do advento?

A Coroa do Advento é um símbolo cristão, especialmente presente na tradição católica, e marca o início do Advento a cada ano. Encontramos este símbolo luminoso principalmente nas Igrejas, mas também nos lares dos fiéis. A coroa é composta por um círculo de ramos verdes, quatro ou cinco velas e, às vezes, fitas, geralmente na cor vermelha.

O círculo representa o tempo contínuo, transmitindo a ideia de eternidade; a forma circular também lembra que Cristo é o início e o fim (alfa e ômega). A fita vermelha simboliza o amor de Deus por nós, e a cor verde nos remete à vida e à esperança. Contudo, são as velas que se destacam, pois o Natal é sobretudo uma festa de luz: Cristo é a luz que vem.

A história da coroa do Advento

Talvez poucos saibam, mas a Coroa do Advento teve origem em 1839, em Hamburgo, na Alemanha, por meio da iniciativa do pastor luterano Johann Hinrich Wichern. 3 Ele dirigia uma casa que prestava assistência social aos menos favorecidos, incluindo muitas crianças carentes. E à medida que se aproximava a época do Natal, as crianças não paravam de perguntar quando esse dia iria chegar. Sendo assim, Wichern, naquele ano, teve a ideia de criar uma espécie de calendário luminoso para auxiliar na contagem regressiva até o Natal. Utilizando uma roda de carroça, ele colocou uma vela para cada dia do Advento. Eram 24 pequenas velas para os dias da semana e quatro velas maiores para simbolizar os domingos. Essa ideia não apenas ajudou as crianças a marcarem o tempo até o Natal, mas se tornou um símbolo visível da espera do Messias.

A prática de usar a coroa logo se espalhou por diversas denominações cristãs, que a foram adaptando ou simplificando, até chegar ao uso das quatro velas para cada domingo que antecede o Natal. Além disso, passou-se a unir a esta ideia a tradicional guirlanda de Natal, resultando no que conhecemos hoje como a coroa do advento.

A transição para a tradição católica foi gradual, iniciando por volta do ano de 1925. A aceitação mais ampla entre os católicos aconteceu pela influência do movimento litúrgico, que valorizava a espiritualidade litúrgica. Desse modo, com o passar do tempo, Coroa do Advento pareceu integrar-se de maneira mais harmônica com a liturgia e a espiritualidade católica do que com as origens luteranas. Isso acontece porque a Igreja Católica vive o tempo litúrgico como um tempo sagrado, com suas cores e símbolos, todos os anos.

As velas do Advento

A característica marcante da coroa do Advento são as quatro velas: três roxas e uma rosa. A primeira vela, que é roxa, representa a esperança. Ela nos lembra da esperança inabalável que temos dentro de nós enquanto aguardamos a chegada do nosso salvador. A segunda vela, também roxa, significa paz, ela nos chama a buscar a paz interior e a espalhar paz para aqueles ao nosso redor. A terceira vela, que é rosa, incorpora a alegria. Acesa no Domingo, ela serve como um lembrete para nos alegrarmos que a vinda de Cristo está próxima. A quarta vela, roxa como as duas primeiras, representa o amor. Ela simboliza o amor ilimitado de Deus, que somos chamados a compartilhar com os outros.

Em certas coroas do Advento, particularmente aquelas comumente vistas em Igrejas, uma vela branca central conhecida como vela de Cristo. Por vezes é acesa no dia de Natal, simbolizando a vida de Cristo.

Fonte: Blog da Minha Biblioteca Católica.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Por que o Advento é tempo de alegria?


O Advento começou, marcando não apenas a preparação para o Natal, mas também o início de um novo ano litúrgico na Igreja! 

Este é um tempo especial de expectativa e esperança, onde somos convidados a renovar nossa fé e alegria pela vinda de Jesus, ou seja, nos convidam à reflexão e à renovação espiritual.

Assim como Nossa Senhora, que acolheu o Salvador com fé e esperança, somos chamados a nos preparar para receber Jesus em nossas vidas. A penitência e a oração são formas de cultivar essa expectativa e aproximar-nos do Senhor.

Mas você já se perguntou por que o Advento é considerado um tempo de alegria?

Um dos pontos centrais que nos ajudam a entender essa alegria é a cor litúrgica usada durante esse período. O roxo é a cor predominante nas celebrações do Advento, simbolizando a penitência e a preparação. Porém, essa cor também traz em si a expectativa jubilosa pelo nascimento de Cristo.

No terceiro domingo do Advento, conhecido como Domingo Gaudete, a cor litúrgica muda para o rosa, representando a alegria intensa que se aproxima com a chegada do Salvador.

Prepare-se para o Natal com o coração renovado e cheio de esperança. Vamos juntos viver este tempo com profundidade e alegria!


quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Dons de Santificação ou Infusos

 1 – A MISSÃO DO ESPÍRITO SANTO

A missão do Espírito Santo é fazer que tomemos posse da salvação que nos foi conquistada pelo preço do Sangue e pela Ressurreição de Jesus.

Sua ação em nós se dá: Age em nós nos santificando, isto é, transformando nosso coração e nossa mentalidade, Convertendo, convencendo-nos acerca do pecado, Restaurando em nós a imagem e semelhança de Deus, que foram desfiguradas pelo pecado.

Operacionalizar e interiorizar a salvação são obras do Espírito em nós. “O homem tem, pois, uma vocação, a vida no Espírito” (cf. Catec. 1699).

Pelo pecado o Homem foi atingido no seu todo: Bio (Corpo), Psíquico (Mente) e Espiritual.

A Inteligência ficou obscurecida; A Vontade foi enfraquecida; A Liberdade foi abalada (Escravos de vícios, mazelas, falsa concepções de liberdade); O Emocional ficou desequilibrado (Carências, inconstâncias, desamor, falta de perdão)

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Quando e como usar esse carisma?

 


Antes de qualquer coisa é necessário entendermos o que significa a palavra Profecia. Ao consultar o dicionário, encontramos o seguinte significado: Ação de predizer (prever) o futuro, que acredita ser por meio de uma inspiração divina: as profecias bíblicas. E de fato, o ato de profetizar nada mais é que deixar Deus falar o que, e como irá realizar algo em nossas vidas. Ao orarmos, conversamos com o Senhor, e como em todo diálogo há o momento de falar e o de escutar e é justamente nesse momento que o carisma da Profecia surge em nosso coração. Quando profetizamos o Senhor utiliza a nossa boca para falar ao nosso irmão, nesse caso é necessário discernir quando e como usar esse carisma tão importante.

“Aquele, porém, que profetiza fala aos homens, para edificá-los, exortá-los e consolá-los” (1Cor 14,3). Veja bem, irmão, a Profecia não vem para humilhar, entristecer, desesperançar, muito menos para sobrepor a vontade do condutor da profecia sobre decisões importantes na vida do irmão. Ao contrário, ela vem para acalmar, produzir esperança, aliviar, fazer crescer e gerar paz. De uma forma bem simples e clara, profetizar é ser o porta-voz de Deus.

Os carismas são diversos (cf. 1Cor 12, 1.4-11), todos são dados pelo Espírito Santo para cada um de nós e devem ser usados para edificação da comunidade. “Carismas são graças especiais que significam favor, dom gratuito, benefício; ordenam-se à graça santificante e têm como meta o bem comum da Igreja, acham-se a serviço da caridade, edificando a Igreja” (Catecismo da Igreja Católica nº2003).

Entendemos, portanto a necessidade de exercitarmos os carismas nas reuniões de Oração, em especial o carisma da Profecia. O Senhor deseja falar conosco, e na reunião de Oração Deus quer falar, então devemos manter o nosso coração em sintonia com o Senhor, para que possamos reconhecer o desejo de Deus. Observamos, assim, a importância do uso dos carismas no “ciclo carismático”, ciclo esse que compreende o louvor, a oração e a profecia, funcionando como canal de comunicação entre Deus e os homens.

A Profecia é sempre falada na primeira pessoa do singular (Eu), porque é o próprio Deus a falar conosco. Quando recebemos uma Profecia podemos ou não proclamá-la, Deus não nos obriga, cabe a nós decidir, nesse momento não perdemos a consciência, temos o controle do que fazer, porém recebemos essa inspiração divina que pode vir acompanhada de manifestações espirituais (paz profunda, amor de Deus), assim como manifestações físicas (aceleração do coração, garganta apertada, calor espalhado por todo o corpo) e que servem para identificar quando a Profecia vem. Ao proclamá-la devemos pedir ao Espírito Santo a Palavra de Sabedoria e o Discernimento dos Espíritos para proferir as palavras de forma adequada, sem assustar ou desestimular àqueles que se encontram na assembleia. Podemos proclamar em línguas ou língua vernácula (idioma local). Quando é proclamada em línguas,  deve vir seguida do dom da interpretação em línguas, que não é uma tradução, mas, como o próprio nome diz é a interpretação do que o Senhor falou àquele povo, a assembleia não pode sair da reunião sem essa compreensão.

Jesus diz: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10,27), da próxima vez que participarmos de uma reunião de Oração, estejamos abertos ao que o Senhor fala, tenhamos intimidade com o Pai, por meio de uma oração pessoal diária, leitura orante da Palavra e vida sacramental. Mantendo nossas práticas espirituais em dia ficará mais fácil vivenciarmos esse carisma e utilizarmos para a edificação da comunidade sempre que o Senhor quiser utilizar de nós para isso.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Grupo de Oração: lugar de Curas e Milagres


 

Milagre é todo acontecimento ou fato que foge das leis naturais e que a ciência não consegue explicação. Os Milagres são operados pelo próprio Jesus, que age por misericórdia em favor do homem, contrariando as leis da natureza. A cura é a resposta de Deus a uma oração; é a ação de Deus na vida do homem (Ex 15,26; Mt 8,16-17).

Desde que a RCC surgiu, muitas pessoas foram transformadas pelo poder do Espírito Santo. As manifestações do poder de Deus se tornaram algo impactante e revelador para muitas pessoas em todo o mundo através dos Grupos de Oração, essas manifestações foram extraordinárias através de curas e milagres, cumprindo-se uma promessa de Deus de que “esses milagres acompanhariam os que acreditassem” (Mc 16,17).

Essas manifestações em nossos Grupos de Oração não podem acabar, muito menos esfriar, pois “Jesus é sempre o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade” (Hb 13,8). Quando Jesus enviou os apóstolos a evangelizar, deu-lhes o poder de expulsar todos os espíritos imundos e de curar todas as enfermidades (cf. Mt 10,1), e esse mandato precisa ser fortalecido e colocado em prática semanalmente nas reuniões de oração, pois este “é o lugar da expectativa e, ao mesmo tempo, da realização da promessa perene de Deus; é o Cenáculo de Pentecostes dos dias atuais” (Apostila Grupo de Oração, Módulo Básico).

Algumas condições para receber e ser canal de curas e milagres:

1. É preciso ter fé – O Senhor manifesta o seu poder de cura e milagres para dar fé a quem não tem e aumentar a fé de quem já tem. No dia da transfiguração do Senhor, um pai levou o dele filho possuído pelo demônio e os discípulos não conseguiram expulsar. Depois que Jesus o libertou, eles perguntaram a Jesus por que não conseguiram fazê-lo. Ele respondeu-lhes: “por causa de vossa falta de fé. Em verdade vos digo: Se tiverdes fé (...), nada vos será impossível”. Mt 17, 15-20 .

2. É preciso pedir – A Palavra de Deus diz que tudo que pedirmos ao Pai, em nome de Jesus e com fé, Ele nos concederá (Jo 14,13). E ainda orienta: “pedi e recebereis, buscai e achareis...’ (Lc 11,9-10).

3. ldentificar a causa – algumas enfermidades estão relacionadas a outros fatores como a necessidade de dar e receber o perdão, a traumas adquiridos durante toda a vida, em alguns casos desde o ventre materno, carência de amor, talvez precise de arrependimento de seus pecados ou até mesmo renunciar práticas ocultas e ao homem velho (Ef 4, 22). Entretanto, Deus realiza seus prodígios quando e da forma que Ele quer “porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar” (Fl 2,13). Muitas vezes, independente dessas condições. Deus cura e liberta porque, além de amar com um amor incondicional (Os 11,1-4), Ele quer a pessoa sarada, limpa e purificada. Quando uma pessoa vai ao Grupo de Oração, é necessário, acima de tudo, que ela se sinta amada e acolhida, principalmente quando ela mais necessita, seja por uma enfermidade ou outra situação. O

papel mais importante para o exercício do carisma de curas e milagres é deixar-se conduzir pelo Espírito Santo. É fazer com que as pessoas se sintam acolhidas, amadas e edificadas com a ação de Deus através do irmão que o acolheu.

Podemos até nos questionar: Em que momento pode acontecer a manifestação de curas e milagres no Grupo de Oração? Nossos Grupos precisam ser celeiros de curas e milagres; a cura acontece desde o acolhimento, quando a pessoa é recebida com um aperto de mão e um abraço, ali já começa o processo de cura e libertação na vida daquela pessoa. Durante a reunião, no ciclo carismático, podem ser usadas dinâmicas de orar um pelo outro, um abraço, usar a criatividade e as moções que vêm do Espírito. Não podemos esmorecer na fé, nem deixar que a modernidade e o mundo dominado pelo pecado nos tirem da graça de Deus ou esfriem a fé daqueles que o Senhor confiou a cada um de nós. É necessário, acima de tudo, saber que toda semana temos um encontro marcado com Jesus no Grupo de Oração, que é um lugar abundante de curas e milagres.

O dom de línguas no Grupo de Oração


Jesus disse: “Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas,…” (Mc 16, 17). Ao estudarmos sobre os dons carismáticos ou dons efusos, geralmente iniciamos pelo dom de línguas. Por que será? Por ser menos importante? Por ser o dom mais frequente aos que passam pela experiência do novo nascimento? Por ser um dom carismático que mais “aparece”? Ou por ser, segundo alguns, o mais “estranho” de todos eles? Sim e não.

Por certo, o dom de línguas não é menos importante, pois serve como uma porta, mas uma porta principal, que nos oferece acesso para os demais dons, justamente pelo caráter de abertura do coração que esse dom nos confere. Pode-se dizer que é uma porta baixa, baixíssima, e que só estará ao alcance para os que decidirem descer de seu intelectualismo formal, de sua postura adulta e racional, do apego a sua autoimagem. Isso, porque é preciso fazer-se criança para conversar com o Senhor. Eis aí o segredo para acolher o dom carismático das línguas: fazer-se criança, fazer-se pequeno. Todos nós somos chamados a estar com o Senhor, a ser um Amigo de Deus e falar com Ele “face a face” (Ex 3, 11). E ter um relacionamento de amizade com o Senhor deve ser a coisa mais importante em nossas vidas: “... no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada” (Lc 10, 42).

Nessa premissa, esse dom se faz grande, valioso e importante para a santificação dos fiéis, pois nos aprimora na intimidade com o Senhor, num diálogo filial em que o próprio Espírito Santo vem orar em nós. “Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza: porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus” (Rm 8, 26-27). “Aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas, sob a ação do Espírito” (I Cor 14, 2). “Ora, o Espírito orando no homem será pouca coisa?” (Encarte da Revista Renovação N.55).

Pode-se dizer que os capítulos 12, 13 e 14 da primeira Carta de São Paulo aos Coríntios se constituem num minucioso tratado de Paulo sobre os dons carismáticos. Todo dom de Deus é uma dádiva, um presente que nos é dado para benefício próprio ou para o bem da comunidade, ou seja, para a edificação de todos. No caso do dom das línguas, de forma especialíssima, um dom de oração, de adoração, dom particular.

O Catecismo da Igreja Católica, no número 2013, ensina: as graças especiais, também chamadas carismas, segundo o termo grego empregado por São Paulo e que significa favor, dom gratuito, benefício. Qualquer que seja o seu carácter, por vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os carismas estão ordenados para a graça santificante e têm por finalidade o bem comum da Igreja. Estão ao serviço da caridade que edifica a Igreja.

Paulo, em I Cor 14, 4 nos orienta: “Aquele que fala em línguas edifica-se a si mesmo”. Esse edificar-se pode ser entendido por “construir, induzir ao bem e à virtude”. Dessa forma, o próprio apóstolo nos aponta um benefício pessoal do dom de línguas que pode ser comparado ainda a uma ferramenta do Espírito Santo de Deus que, sem cessar, trabalha na obra de santificação de cada fiel. De forma alguma podemos abdicar de tamanha graça, seja em nossa oração individual, seja orando em reunião com os irmãos.

“... a oração em línguas, de caráter usualmente particular, pessoal, e que, portanto não requer interpretação. Embora de caráter pessoal, ela pode ser exercitada também de modo coletivo, o que acontece nas assembleias onde todos exercem o “dom particular de orar em línguas”, ao mesmo tempo; obviamente, não supõe interpretação. No entanto, Deus – que ouve a oração que milhares de fiéis lhe dirigem concomitantemente de todos os cantos da Terra – por certo entende”.

Nas reuniões dos Grupos de Oração da Renovação Carismática Católica o exercício dos dons carismáticos deve acontecer de forma natural, haja vista ser sua prática um dos pilares no qual se assenta a identidade do Movimento. Os dons, quando exercidos pelos participantes e servos que conduzem a reunião de oração, liberam cura, restauração e libertação. A assembleia é edificada, cresce na fé e santidade.

Para que a reunião de oração seja autenticamente carismática, os servos e demais participantes entram no que costumamos chamar de “Ciclo Carismático”, um momento de grande graça, em que todos são mergulhados no Espírito Santo e, através da escuta profética, o Senhor fala com seu povo. Por certo, o ciclo carismático é iniciado desde que o participante adentra no recinto da reunião de oração, pois a acolhida fraterna dos irmãos traz conforto e alegria, portanto, ali Deus já pode se manifestar se assim o quiser, pois a iniciativa de falar ao seu povo, de tocar os corações é sempre d’Ele e para isso, pode fazer uso dos mais diversos meios e momentos. Todavia, uma sequência de cantos, orações e louvores, ajudará a assembleia reunida a abrir-se à graça derramada, libertando-se de seus fardos e misérias. A oração em línguas surge, por conseguinte, como um auxílio do próprio Espírito Santo que vem em ajuda à falta de palavras em vernáculo para se orar. A oração em línguas e o canto em línguas com fins de glorificação do Senhor, seguido pelo silêncio (silêncio esse tão necessário), ajudam a tornar o ambiente oracional fecundo para a manifestação dos demais dons carismáticos. Os participantes ficam como que na expectativa de se ouvir o Senhor que poderá se manifestar por meio do dom carismático da palavra de ciência, de profecia, de cura, sabedoria e de outros.

João Paulo II, agora São João Paulo II, com sua Dominum et Vivificantem, e a inspirada exortação pronunciada na celebração de Pentecostes de 29 de maio de 2004, dizia: “Desejo que a espiritualidade de Pentecostes se difunda na Igreja como um impulso renovado de oração, santidade, comunhão e anúncio. [...] Abram-se com docilidade aos dons do Espírito Santo! Recebam com gratidão e obediência os carismas que o Espírito não cessa de oferecer!” Ressalta-se que se Deus sempre agracia seu povo, caberá a cada servo que faz parte do núcleo de serviço e dos demais ministérios buscar uma vida consagrada, submissão ao Espírito Santo de Deus e intimidade com Ele por uma vida pessoal de oração cotidiana.

Torna-se relevante também conhecer e aprofundar-se acerca dos dons carismáticos através de uma formação sólida! Mesmo sabendo de antemão que é de Deus sempre a iniciativa, não se pode deixar de considerar o caráter de colaboração do servo dirigente da reunião e dos demais servos nesse processo de condução da oração, de escuta e exercício dos dons. Todos eles precisam estar cheios de Deus e vazios de si, para serem usados pelo Espírito Santo.


Fonte: RCCBrasil