O assunto que vamos abordar é inesgotável, pois “Lectio Divina”, significa “leitura de Deus”, e a Deus nunca vamos acabar de ler. Arte de estudar o coração de Deus, segundo a harmoniosa definição de São Gregório Magno, a leitura participa de certo modo, da intimidade de seu objetivo próprio. Por isso, quanto mais se estuda, mais qualidades se descobrem nela, mais ricos se revelam os múltiplos aspectos que apresenta. Ao dar por concluídos nossos colóquios, teremos a impressão de que apenas havíamos abordado o assunto.
“Adão, onde estás?”
A voz do Todo-Poderoso ressoa no Paraíso. Deus buscava o homem que havia
plasmado à sua imagem e semelhança. Queria falar com ele, como todos os dias,
quando passava pelo jardim, à hora da brisa da tarde. Adão, o homem, havia
desobedecido ao seu Criador e se havia escondido. O pecado do homem destruiu
brutalmente a familiaridade com Deus. Isto é o que quis dizer o Gênesis em suas
primeiras páginas.
O homem perdeu a doce e terna liberdade de expressão que lhe permitia falar a Deus como um filho fala a seu pai, como um amigo fala a seu amigo. O homem perdeu a Deus, seu criador e pai, e Deus perdeu o homem, sua imagem e semelhança, seu filho interlocutor. E, desde essa época, Deus busca o homem, e ele tem de buscar a Deus.